lunes, 1 de mayo de 2017

Tudo outra vez

Belchior

Há tempo, muito tempo
que eu estou longe de casa
e nessas ilhas cheias de distância
o meu blusão de couro se estragou.

Ouvi dizer num papo da rapaziada
que aquele amigo que embarcou comigo
cheio de esperança e fé já se mandou.

Sentado à beira do caminho prá pedir carona
tenho falado à mulher companheira: 
quem sabe lá no trópico a vida esteja a mil.

E um cara que transava à noite no Danúbio Azul
me disse que faz sol na América do Sul
e nossas irmãs nos esperam no coração do Brasil.

Minha rede branca, meu cachorro ligeiro Sertão, 
olha o Concorde que vem vindo do estrangeiro,
o fim do termo "saudade" como um charme brasileiro
de alguém sozinho a cismar.

Gente de minha rua como eu andei distante, 
quando eu desapareci ela arranjou um amante,
minha normalista linda, ainda sou estudante
da vida que eu quero dar.

Até parece que foi ontem minha mocidade
com diploma de sofrer de outra universidade,
minha fala nordestina, quero esquecer o francês.

E vou viver as coisas novas que também são boas,
o amor, humor das praças cheias de pessoas, 
agora eu quero tudo, tudo outra vez.



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Incluida en el LP Era uma vez um homem e seu tempo (1979), esta canción marcó mi juventud a fines del siglo XX en Brasil, país que me acogió como segunda patria y al que pertenece un inmenso pedazo de mi corazón. Al escucharla hoy siento que sus líneas cobran nuevos significados. R.I.P. para este poeta inolvidable.

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